Ilha Terceira

O Plano de Desenvolvimento de cada uma das ilhas dos Açores deve consolidar aquelas que são as vocações de cada uma. Um plano, acompanhado dos recursos financeiros e humanos necessários à sua implementação, que deve ser promovido pela administração regional, mas construído da base para o topo, isto é, da população para a administração pública regional, de forma a envolver os cidadãos na definição das políticas.

Nesse sentido, é pela definição de medidas concretas a serem implementadas a cada momento que devem ser convocadas as Açorianas e os Açorianos a par das forças vivas de cada ilha. Trata-se, em suma, de criar um plano de desenvolvimento inteligente e participativo. O desafio que se coloca hoje aos Açores é manter a coesão por via do desenvolvimento de todas as ilhas. Sendo que tal não pode significar o mesmo para todos, mesmo que com dimensões diferentes consoante a população de cada ilha.

O sucesso deste processo só acontecerá se tivermos a capacidade de envolver os cidadãos de cada ilha no desenvolvimento das medidas que terão melhores efeitos em cada uma delas. É que cada ilha, tendo recursos, dimensões fiscais e populacionais diferentes, tem também potencialidades diferentes. Há assim que impulsionar um processo que faça cada uma trilhar o seu caminho do ponto de vista de apostar naquelas que são as suas verdadeiras vocações económicas.

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    Isabel Borges
    Julho 13, 2020

    Tendo como pano de fundo a coesão territorial e social, penso que é imprescindível uma rede de transportes de passageiros e de mercadorias aéreo e marítimo entre ilhas eficaz, bem como para o Continente ou outros portos ou aeroportos do mundo que sejam estratégicos.

    Também me parece fundamental que os empreendedores tenham acesso a capital ajustado às necessidades dos compromissos financeiros que assumem. Por outras palavras, que os bancos sejam verdadeiros parceiros económicos. Os empreendedores e as empresas precisam de ter planos financeiros ajustados às suas atividades.

    Um açoriano que queira investir na formação ao longo da vida vê-se impedido de o fazer, por vários motivos: as formações (em algumas Ilhas, sei que na Ilha Terceira, sim) não acontecem por não ter formandos suficientes. Aqueles que querem aprender para poder fazer ficam de mãos e pés atados por esses critérios. Uma outra razão é que as formações são fora do arquipélago, e como não usam plataformas que permitam a aprendizagem à distância, por vezes isso é suficiente para se perder a oportunidade, além do que encarece muito a formação; para terminar, a Universidade dos Açores deveria trabalhar em rede para que todos pudessem participar e beneficiar da sua existência.

    A Política Agrícola Comum (PAC) cria disrupções no mercado de várias ordens. Nós precisamos de um novo modelo, mas tem de ser muito bem explicado às associações e cooperativas e terá de ser uma vantagem para todos. Porque razão defendo um modelo diferente? E diferente em quê? Em vez de subsídios, fariam-se acordos com os bancos para contribuirem no plano financeiro das diversas atividades. Acabavam-se com os rateios que prejudicam imenso o agricultor, pois ele nunca sabe o rendimento que irá receber; o agricultor poderia produzir o que fosse melhor, segundo as condições endafoclimáticas do seu campo; não teria de esperar 3 anos por cada quadro comunitário; acabavam-se os jogos de influência e de caça aos subsídios; os técnicos dos serviços ficariam livres da burocracia de pedidos de apoio e investimento e dedicavam-se a ensaios de campo, a aconselhamento ao agricultor, à procura (juntamente com economistas, profissionais de MKT, publicidade, Relações Públicas, tradutores, especialistas nas leis do comércio internacional, no funcionamento da UE, em suma, uma equipa multidisciplinar) de oportunidades e prevendo riscos e ameaças para este setor. Não faz sentido o que estão a fazer com a agricultura e sobretudo com o agricultor. Falam no rejuvenescimento do setor…quem quer trabalhar de sol a sol, trabalhos pesados e ser mal pago porque os custos dos factores de produção e trabalho são muito elevados face ao que o agricultor recebe? Poderão objetar: isso é o fim dos pequenos agricultores e a agricultura de subsistência. Não. Em primeiro lugar isto é um saber que precisa de ser ensinado às gerações seguintes (a agricultura não se aprende só pela leitura, pelo estudo da química e física, mas a ver, fazer e conversar com quem sabe); em segundo, os pequenos e micro agriculturores têm de existir para cuidarmos da paisagem, controlarmos as pragas (pelo menos isso).

    Tudo isto ajuda a combater a pobreza que é um mal terrível.

    Ainda não percebi se este espaço é para discutir ou partilhar a nossa visão. Gostava de saber o que pensam do que aqui disse.

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