‘Açores Primeiro’ Faial: futuro da ilha passa pela economia azul

O movimento ‘Açores Primeiro! Todos Contam’ realizou o debate de ilha do Faial sob o mote de se perspetivar o futuro, olhando à realidade local por via de se encontrar um rumo para a próxima década, pensando dessa forma o modelo de desenvolvimento da região.

Para o Presidente da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, Davide Marcos, e após o período de paragem causado pela pandemia da COVID-19 há que se pensar “medidas para responder de forma eficaz à pandemia, apoiando a economia e estimulando a sua recuperação”, sublinhando ainda a importância de se manter uma agenda permanente, com o lançamento de novas medidas e o reforço de outras.

Para o orador convidado os principais desafios que se colocam para a próxima década passam por se manter a sustentabilidade demográfica das ilhas; a transformação digital bem como apostar nos investimentos estruturantes essenciais para o futuro, potenciando também as atividades ligadas ao mar. Segundo Davide Marcos há que se reforçar ainda as dotações para as funções económicas da região; apostar na qualidade dos transportes e acessibilidades e manter as contas regionais equilibradas de forma a prosseguir um caminho de convergência económica e social.

Já o Presidente da Associação de Turismo dos Açores, Carlos Morais, e centrando-se nesse setor em específico, sublinhou igualmente a questão demográfica e a fixação de jovens na ilha como o principal entrave, referindo ainda a questão do Aeroporto e Porto da Horta duas infraestruturas fundamentais ao desenvolvimento.

Por outro lado, e como pontos fortes o orador sublinhou a posição estratégica do Faial que assume uma elevada importância para o desenvolvimento da ilha; a história da ilha, com os cabos submarinos, a presença dos Dabney na Horta; o Vulcão dos Capelinhos; os centros de visitação e a atividade da baleação.

No que à economia do mar diz respeito, o Diretor do Centro Okeanos, João Gonçalves, traçou como as grandes linhas para a próxima década a consolidação das atividades de investigação, assegurando o financiamento plurianual e contando com recursos humanos estáveis, bem como com equipamentos.

Quanto às áreas de investigação sublinha a biotecnologia azul e a aquacultura, sendo este um setor emergente, acrescentando ainda que os Açores se podem desenvolver mais ao nível do parque tecnológico, de forma a trazerem mais empresas. João Gonçalves refere ainda a falta de bases de dados sobre o oceano, o que impossibilita o planeamento e a necessidade de se consolidar a formação na Região nas áreas ligadas ao mar.

Por último, o Gestor Marco Goulart apresentou uma perspetiva mais direcionada para as empresas lembrando que após a crise financeira de 2008 o período de recuperação permitiu um crescendo do turismo na região, o que contribuiu significativamente para o crescimento da economia, realidade que “com a COVID-19 temos de reinventar e reestruturar esse caminho que vínhamos a percorrer”.

Para o orador o arranque no pós COVID vai condicionar a economia, atrasando e empobrecendo as empresas, situação essa que Marco Goulart considera fundamental de se valorizar o que é nosso.

No essencial todos os oradores consideraram que a especialização eficiente da ilha do Faial passa pelas atividades relacionadas com as pescas e com o mar, o que, para João Gonçalves, traria “oportunidades de captar novos públicos externos, nomeadamente públicos nacionais e internacionais”.

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